segunda-feira, 15 de abril de 2013

veja

veja que dia.
lindo poema nas nuvens entrepostas.
fotograma de gráfica expressa. offsett.
num cartão postal sem voz.
manhã de frio, nos cachos amenos, de fios retilíneos.
de um miado surdo, na madrugada castigada pelo vento.
frio na capital gaúcha.
no tempo de pôr. no tempo de sol.
entre os inícios de inverno e os meados de outono.
proposição desequilibrada. tira a jaqueta, põe a jaqueta.
num vai e vem eterno,
de brigas entre o pescoço vazio e a touca de lã.
meias erguidas, chinelos abertos.
protetor solar, protetor de orelhas.
frio desesperado. nariz vermelho.
calor repentino. bochechas de gringo.
ar-condicionado. jaqueta de couro.
meio da tarde: suor.
meio da noite: espirro.
estranha estação.
fabricando poemas, em sóis que deixam os céus.
pra voltar de manhã, num novo dia:
conturbando o clima.







quarta-feira, 10 de abril de 2013

engrenagem

pneu solto na estrada. dois murchos casos de borracha.
roda torta, vento seco. obras ao léo, deixadas pelo tempo.
quanto relógios vão precisar para as reformas?
entre cacos e rachaduras causadas pela impaciência.
pelo sonho iludido de uma copa do mundo.
hexa com baixo time.
meio campo de fracassos.
64 anos depois, num drama de hollywood.
"o dia em que o sonho acabou de novo"
duas vezes, uma história.
e os pneus murcham pela casualidade dos saltos governamentais.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

ensaio



soa maior o acorde.
como se fosse o sol aparecendo por detrás das nuvens.
brancas, quem sabe, auroras, desfolheadas pela penumbra deixada na noite anterior.
mas já sumida, dorminhoca e boemia.
sobe, num tom mais leve e clássico,
com letras que pulsam na cartola magistral.

dedos. articulações que nervam a biópsia:
das cordas.
baquetas.
pedaleiras e microfones.
nos pedestais mal compostos, maltrapilhados
de vocais distantes da rota.
roçam as mãos nas tampas de cervejas.
verdes.
marrons.
pilsens,
destilam o cérebro no rock distorcido.
enquanto os pés, numa nuance de aspectos mal dispostos
(entre um all star e dois sapatos de gala)
piscam as bocas para camisas e camisetas mal passadas.

do renome composto aos novos boatos.
pré-dispostos.
corre o tempo da horas e, quando vê o relógio,
já soou, apitou.
vão embora.

música, trancada no estômago,
que digere o vento, que transcreve o silêncio.
vai, em vão, ao alambique,
do copo de uísque, ao vento seco no olho cheio de olheiras.
dorme no sono do sonho, enquanto, distante, trabalha. dilata neurônios.
compõem sonetos tagarelas
e uma infinidade de transferências. downloads, softwares, atualizações.
cresce o refrão,
enquanto a letra ainda sobreposta de informações desnecessárias,
morde a mesa, os dedos rasgam, a boca sangra de temperos,
acordes,
pimentas,
sono de ansiedade.
martelando.

sai, enquanto isso, do caderno rabiscado.
as ideias, mini-ideias, pré-ideias, pós doutor.
até que, no próximo estúdio,
mix, master, grava,
pronto.
e surge novos vulcões.

e a manhã ressurge como aurora.
(de novo!)
num circulo de criações profundas.













segunda-feira, 1 de abril de 2013

panorâmica


nos toques dos braços, abraços, sorrisos, salivas.
viagens, apegos, penumbra, miados.
palavras, segundas, terças,
silêncios,
quartas, luas crescentes,
rios completos.
sacada, varanda, área de sossego, quarto de solteiro.
na cama de casal, lençóis revertidos, travesseiros encobertos:
de cachos, carinhos, cafuné e bezerras.
some, aos poucos, devagar e palpitante, o pulsar do peito descoberto.
dorme tranquilo, nos braços da mulher amada.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

sono-leve


ver
que deita sobre o ombro,
sonha sobre os braços
mede os centímetros cúbicos dos acentos circunflexos
sorri aos passos de um controle de televisão.
abre os olhos ainda (ou quase) dormindo
vibra com o seriado
antigo. sincero.
vira-se.
abraça o travesseiro.
ar-condicionado.
suspiro e meio sorriso.
amor.

cama


de volta à cama, à casa-lar.
resquícios de areia pelos cabelos,
(demoram para cessar,
para se transformarem em ondas) 
lindos cachos que - adormecidos - respiram sem cessar na penumbra da televisão completa de parabólicas: respingos de imagens na parede branca de um quarto completo. 
saudade que já dava resquícios de febre, 
pedindo retorno.
carinho na nuca, beijo no pé, café automático.
bom dia ao ano, novos números a decorar. 
respiros. 
novas maresias 
que descalçam as narinas trancadas de cidade.


      
    

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

31


não de Buñuel
ou de uma CTI qualquer
mas o último suspiro dos raios vibrantes de 2012.
que perde espaço para a chuva melancólica
que suspende a ânsia das cabeças pulsastes
que desejam não parar.
bons fluidos na estrada não distante.
que os raios retornem na manhã do próximo ano