segunda-feira, 8 de julho de 2013

análise histórica sobre a cidade esquecida



lá na rua, no bairro de todos,
pertinho do centro,
uma casa caia.
ninguém avistada. ninguém percebia.
eram muitos shoppings param visitar.
muitos bancos para entrar,
muitas contas para pagar.

pra que olhar pra cima?

a casa, coitada, era esquecida.
na rua, movimentada,
despercebida.
com cimentos antigos, azulejos vendidos,
e um grupo invadido. que morava de graça,
na casa esquecida.

o grupo, coitado, também esquecido,
("muitos comercios, muitos videogames"
porque ajudar?)
se viu encontrado.
com um teto em cima, um carpete - velho - em baixo.

e a casa esquecida,
foi habitada.
pelo grupo mais esquecido que a casa.
mas pensa o prefeito, que ali precisa de um mercado.
uma lojinha.
"um lugar tão bem posicionado,
não pode ser habitado por um grupo qualquer".
vandalismo. os jornais (tão imparciais, coitados) ajudaram o prefeito.

e as pessoas esquecidas foram abandonadas.
um centro comercial é muito mais legal.
a casa esquecida vai ser derrubada.
e um comércio formal vai ajudar o local.

"precisa-se de vendedores que não façam parte de grupos esquecidos".

lá na rua, no bairro de todos,
pertinho do centro,
uma casa caia.
do outro lado da rua.


terça-feira, 25 de junho de 2013

sossego



naquela estradinha
localizada ao final do dia.
que horas era?
bem no entardecer,
tinha uma casinha de madeira.
não tinha internet,
nem instagram ou facebook.
rede social zero.
sinal, nem pensar.
sossego inteiro, absoluto, interno e profundo.
será que amanhã vai chegar?
no cantar dos pássaros.
andando um pouco mais.
tinha uma árvore,
meninos faziam de goleira,
sem videogame - o jeito é improvisar.
mais distante ainda tinha
que horas era?
uma casinha acendia a luz da varanda.
hora de voltar.






 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

moderno



brincavam pela rua.
um casal abraçado.
transavam no mato, muros, temperos do cimento.
bosques cinzas deste quase sertão.
faziam carinhos. e posavam pras fotos curiosas.
aproveitavam os tijolos. eram diferentes.
lajotas, ladrilhos, desenhos.
para namorar, para brincar de amantes.
de esconde-esconde, em janelas sem venezianas.
em entusiasmos modesto.
casaram-se.
e viveram felizes em paredes.




segunda-feira, 15 de abril de 2013

veja

veja que dia.
lindo poema nas nuvens entrepostas.
fotograma de gráfica expressa. offsett.
num cartão postal sem voz.
manhã de frio, nos cachos amenos, de fios retilíneos.
de um miado surdo, na madrugada castigada pelo vento.
frio na capital gaúcha.
no tempo de pôr. no tempo de sol.
entre os inícios de inverno e os meados de outono.
proposição desequilibrada. tira a jaqueta, põe a jaqueta.
num vai e vem eterno,
de brigas entre o pescoço vazio e a touca de lã.
meias erguidas, chinelos abertos.
protetor solar, protetor de orelhas.
frio desesperado. nariz vermelho.
calor repentino. bochechas de gringo.
ar-condicionado. jaqueta de couro.
meio da tarde: suor.
meio da noite: espirro.
estranha estação.
fabricando poemas, em sóis que deixam os céus.
pra voltar de manhã, num novo dia:
conturbando o clima.







quarta-feira, 10 de abril de 2013

engrenagem

pneu solto na estrada. dois murchos casos de borracha.
roda torta, vento seco. obras ao léo, deixadas pelo tempo.
quanto relógios vão precisar para as reformas?
entre cacos e rachaduras causadas pela impaciência.
pelo sonho iludido de uma copa do mundo.
hexa com baixo time.
meio campo de fracassos.
64 anos depois, num drama de hollywood.
"o dia em que o sonho acabou de novo"
duas vezes, uma história.
e os pneus murcham pela casualidade dos saltos governamentais.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

ensaio



soa maior o acorde.
como se fosse o sol aparecendo por detrás das nuvens.
brancas, quem sabe, auroras, desfolheadas pela penumbra deixada na noite anterior.
mas já sumida, dorminhoca e boemia.
sobe, num tom mais leve e clássico,
com letras que pulsam na cartola magistral.

dedos. articulações que nervam a biópsia:
das cordas.
baquetas.
pedaleiras e microfones.
nos pedestais mal compostos, maltrapilhados
de vocais distantes da rota.
roçam as mãos nas tampas de cervejas.
verdes.
marrons.
pilsens,
destilam o cérebro no rock distorcido.
enquanto os pés, numa nuance de aspectos mal dispostos
(entre um all star e dois sapatos de gala)
piscam as bocas para camisas e camisetas mal passadas.

do renome composto aos novos boatos.
pré-dispostos.
corre o tempo da horas e, quando vê o relógio,
já soou, apitou.
vão embora.

música, trancada no estômago,
que digere o vento, que transcreve o silêncio.
vai, em vão, ao alambique,
do copo de uísque, ao vento seco no olho cheio de olheiras.
dorme no sono do sonho, enquanto, distante, trabalha. dilata neurônios.
compõem sonetos tagarelas
e uma infinidade de transferências. downloads, softwares, atualizações.
cresce o refrão,
enquanto a letra ainda sobreposta de informações desnecessárias,
morde a mesa, os dedos rasgam, a boca sangra de temperos,
acordes,
pimentas,
sono de ansiedade.
martelando.

sai, enquanto isso, do caderno rabiscado.
as ideias, mini-ideias, pré-ideias, pós doutor.
até que, no próximo estúdio,
mix, master, grava,
pronto.
e surge novos vulcões.

e a manhã ressurge como aurora.
(de novo!)
num circulo de criações profundas.













segunda-feira, 1 de abril de 2013

panorâmica


nos toques dos braços, abraços, sorrisos, salivas.
viagens, apegos, penumbra, miados.
palavras, segundas, terças,
silêncios,
quartas, luas crescentes,
rios completos.
sacada, varanda, área de sossego, quarto de solteiro.
na cama de casal, lençóis revertidos, travesseiros encobertos:
de cachos, carinhos, cafuné e bezerras.
some, aos poucos, devagar e palpitante, o pulsar do peito descoberto.
dorme tranquilo, nos braços da mulher amada.